cover
Tocando Agora:

'Intenso e com estilo único': quem era Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo morto aos 18 anos

Quem era Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo morto no Rio aos 18 anos O mundo do esporte está de luto com a morte de Cauã Batista Gomes, promessa do ta...

'Intenso e com estilo único': quem era Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo morto aos 18 anos
'Intenso e com estilo único': quem era Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo morto aos 18 anos (Foto: Reprodução)

Quem era Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo morto no Rio aos 18 anos O mundo do esporte está de luto com a morte de Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo, aos 18 anos. O jovem morreu nesta quarta-feira (25), no Rio de Janeiro. Ele ficou internado por uma semana no Hospital Municipal Miguel Couto após ser atropelado por um carro, mas não resistiu. Dentro e fora do dojang, Cauã era visto como um grande exemplo por amigos e mestres. Em nota, a Soares Team o definiu como “um atleta admirável, competidor incansável e um verdadeiro lutador da vida”. Cauã Batista, lutador de taewkondo, durante a Copa Zona Norte de 2024, no Grajaú Tênis Clube Divulgação/ Arthur Zannatto Integrante do Centro de Treinamento Soares Team há nove anos, o jovem representava o Rio de Janeiro e estava inscrito para disputar a Seletiva Aberta Nacional, marcada para esta quinta-feira (26). Cauã competia na categoria adulto até 63 kg. O professor da equipe e treinador do atleta, Luan Dias, contou que Cauã era autodidata e extremamente intenso nos treinos. “Ele aprendia muita coisa sozinho, assistindo a vídeos, e aplicava na aula. Fez parte do meu exame de mestre e me deu uma bela bicuda nas costas, me jogando para fora da sala”, relembrou Luan, em tom bem-humorado. Cauã e seu treinador Luan Dias Acervo pessoal/ Luan Dias 'Amava a vida no simples' “Esse cara amava a vida como nunca vi ninguém amar. Amava a vida no simples. Era intenso em tudo o que se propunha a fazer. A intensidade era a maior virtude dele, mas também o que mais atrapalhava nos campeonatos, porque queria sempre fazer coisas mirabolantes”, completou o treinador. Luan contou ainda que Cauã chegou à academia ainda criança e, no início, teve dificuldade para ser aceito por causa da idade. “Ele foi meu primeiro aluno infantil. Eu neguei várias vezes, porque a turma só tinha adulto pesado e graduado. Como eu ia colocar uma criança de 8 ou 9 anos naquele contexto? Era faixa branca ainda. Seria um caos. Se acontecesse algo, a responsabilidade seria minha. O tempo passou voando e, quando vi, o moleque já era carne da minha unha e calo do meu pé, porque não me largava”, afirmou. Cauã durante treino Acervo pessoal/ Luan Dias Luta e perseverança Segundo o instrutor, Cauã ficou cerca de 10 anos sem vencer uma luta oficial, mas nunca desistiu. Com o tempo, ficou conhecido pela perseverança. “Ele amava a vida no simples. Sabe quantos anos demorou para ganhar um round? Foram 10 anos sem ganhar nada. Poderia ter largado, mas a paixão pela arte marcial falou mais alto. Não era o atleta mais famoso do Rio nem do Brasil, mas era conhecido por todos do meio pela persistência, pela insistência e pelo respeito à arte marcial”, disse. Luan também relembrou o último treino dos dois juntos, na véspera do acidente. “Um dia antes do acidente, levei ele para malhar comigo porque estava fazendo os exercícios todos errados. Treinamos a série dele, depois a minha, e depois ele ainda fez duas aulas seguidas de taekwondo. Foram cinco horas de treino direto. Ele estava todo feliz. No final, me perguntou: ‘posso malhar sempre contigo?’”. De acordo com a Confederação Brasileira de Taekwondo, Cauã se destacava pela dedicação, pelo respeito e pela paixão pela modalidade. No ano passado, foi campeão da Copa Thokinim, em Cachoeiras de Macacu. Em 2024, conquistou a medalha de bronze no ranking da categoria júnior do Rio de Janeiro, para atletas abaixo dos 63 kg. Estilo peculiar de lutar Gustavo Silveira, amigo de Cauã e mestre do Time Dragão Branco, contou que o jovem tinha um estilo próprio de lutar. “Ele era explosivo, tinha um jeito único, com movimentos até acrobáticos. Ele fazia o que dava na cabeça dele. Era talentoso demais, tanto que chamou a atenção da seleção brasileira”, afirmou. Cauã (de azul) durante luta com atleta Hugo Divulgação/ Arthur Zannatto Um episódio marcante da amizade dos dois aconteceu durante uma luta contra um aluno de Gustavo, quando Cauã quebrou o nariz. Mesmo ferido, quis continuar o combate. “Sempre falava dele para meus alunos como exemplo de perseverança, entrega e espírito forte”, completou Gustavo. Nas redes sociais, a namorada do atleta, Babi Freitas, prestou homenagem ao jovem.“Dói aceitar que não vou mais te ver chegar, que não vou mais ouvir você dizer que eu sou forte quando eu mesma não acredito nisso. Mas, mesmo com essa ausência que pesa no peito, eu carrego você comigo em cada memória, em cada aprendizado, em cada parte de mim que você ajudou a construir”, escreveu. Ainda não há informações sobre o velório de Cauã.